19.2.09
Outros Ares
Vejo a rua deserta
Sem pressa (de acabar)
Com aquela mesma calma
De me levar
Cachos ao vento
Enroscando meus sonhos
Pra não me soltar
rastreio meus rastros
pra dentro de mim
Dum céu todo aberto
Num teto de amar
Agora tenho que pensar em cada linha
e ver nelas um novo horizonte,
num cintilar de emoções que não te afogue,
que não sugerem tanta dor,
e numa brisa que bem suave toque tua vida
com as canções que vibram num mesmo silêncio
que não te sejam solidão.
por labirintos escuros descalço em bancos de areia a entoar meu canto, um lamento suspiro um medo, uma falha minha seguro-me às pressas de quase cair se sigo ou se páro, nem sei nunca mais volto a ser "eu" ao meu "eu" puro, inocente mesmo com lava nos olhos o avesso de mim não diz nada e fico a murmurar solidão mesmo que num campo cheio de flores isso é cruel, sem dúvida, nada justo que fazer? só lamentar minha existência? não. ainda apelo para não morrer. minhas certezas nunca existiram meus medos gritantes ainda riem de mim me perco... me perco... já nem me acho dentro de mim me assusto! me rasgo! devasto meus sonhos, com pena de mim me vejo tão longe, não posso me tocar prá que asas se eu não sei mais voar.
ZigZag/Agulhas/LinhaeoLinho/retalhos…e a vida
numa dança fascinante, carretéis, linhas, precisão de agulhas e incansáveis pernas… o quarto de costura era a fábrica dos meus sonhos…já emendei alguns retalhos pra colorir minha cama…agora a fantasia é pra colorir a vida.
Os Sentidos Pensando
Poesia impressa no coração da gente é emoção copiada nos olhos, no pensamento e até no sorriso conformado com sua beleza.
A Poesia é sobre Ser humano. Sobre como nos relacionamos conosco e com os outros e com todas as coisas (vivas ou quase mortas)
À Flor da pele
sem querer ou querendo vais deixando seu exemplo
mesmo que en/Gula devore os sentimentos ou eles devoram você.
muitas vidas se cruzam e muitas não conseguem se perceber, não se tocam, sonham com o calor humano e não se abraçam, ou ainda se abraçam e não se sentem.
Água também é mar
E aqui na praia
também é margem
Já que não é urgente
Aguente e sente
aguarde o temporal
Chuva também
é água do mar lavada
No céu imagem
Há que tirar o sapato
e pisar
Com tato nesse litoral
Gire a torneira,
perigas ver
Inunda o mundo,
o barco é você
Na distância, há de sonhar
Há de estancar
Gotas tantas não demora
Sede estranha
Gire a torneira,
perigas ver
Inunda o mundo,
o barco é você
(Carlinhos Brown / Arnaldo Antunes / Marisa Monte)
vou jogar a fita no azul
agarrar nas gotas desse brilho raro
me deixei fisgar e me machucar
nessa pescaria sou peixe morto
meus lábios estão dormentes
rasgou-se da boca pra fora
um vão no meu pensamento
me faz inventar outra história
tumores, rumores, seus trapos
fiapos de linguas ardentes
uma trouxa, outra moça
uma vida quase morta
pega o peixe, larga o peixe
um feixe de luz que me cega
cristalina/mente
sorrateira/mente
vou me jogar na fita azul
vou me lançar no anzol
um coração de isca
vou me engolir no mar
Sela das dores
Ponho grades em mim e não me (a)prendo
Insanas doses de humor não me embriagam
Se é nessa sela que me asfixio sonhos
Meus fracassos nascem e morrem (nem todo dia)
Tem dias que os revivo, noutros, deixo-os sós
todos escondidos, aflitos a me puxarem
dou um ponta pé que me venceCanto um solo e danço comigoEstudo a regência do tempoEnquanto sopro sentidosFios de luzHálito quenteSó ador/meço