29.8.08
Menina
Não quero faca, nem queijo. Quero a fome.
(Adélia Prado)
Vou pro campo
No campo tem flores
As flores tem mel
Mas a noitinha
Estrelas no céu, no céu, no céu. . .
No céu da boca da onça é escuro
Não cometa não cometa
Não cometa furo
Pimenta malagueta não é
Pimentão tão, tão, tão. . .
Vou pro campo
Acampar no mato
No mato tem pato
Gato, carrapato
Canto de cachoeira
Dentro dÂ’água
Pedrinhas redondas
Quem não sabe nadar
Não caia nessa onda
Que a cachoeira é funda
E afunda
Não sou tanajura
Mas eu crio asas
Com os vagalumes
Eu quero voar, voar, voar. . .
O céu estrelado hoje é minha casa
Fica mais bonita
Quando tem luar, luar, luar. . .
Quero acordar com os passarinhos
Cantar uma canção com o sabiá
Dizem que verrugas são estrelas
Que a gente aponta
Que a gente conta
Antes de dormir, dormir, dormir. . .
Eu tenho contado
Mas não tem nascido
Isso é estória de nariz comprido
Deixe de mentir, mentir, mentir. . .
Os sete anões pequeninos,
Sete corações de meninos
E a alma leve, leve. . .
São folhas e flores ao vento
O sorriso e o sentimento
Da Branca de Neve, neve, neve. . .
Não sou tanajura. . .
(Juraildes da Cruz )
Me fiz estátua, parei num tempo, que eu disse Adeus, Um Adeus Prá Nunca Mais…
Mas me vejo no espelho, ainda parada, na mesma. A estátua se quebrou. Tem pedaços que é puro pó e não se acha, o vento que levou, e me sopra a saudade de algo que não vivi, porque parei, mas sofri … me despedi da "minha" estátua quebrada num monte de sonhos que quis construir prá seguir feliz, não quero a estátua que não sou, não páro mais diante da vida, só se for prá contemplar as maravilhas de cada dia.
Suas poesias continuam essencialmente Fortes, suavemente lindas! Parabéns. ( ref. poesia "Estátua Esquecida")
às vezes apareço sem sentido…às vezes dão meu sentido
eu me sinto… eu te sinto … não é dor …. é amor
Amizade…melhor do amor!
Um carinho sem preço
Um olhar atento
Um presente
Um verso
Eu só agradeço!!!
Na dor que não sei porque deixei que entrasse e se fizesse tão cruel, dilacerando, despedaçando parte de mim, tentei calar meus medos, buscando o silêncio que é parte de mim…
Quando a gente reconhece o valor do silêncio, tem mais a calma do tempo e a pressa de paz, e continua a sonhar… Silêncio e atenção para se ouvir, para escutar os sentidos que não calam, ou que se expressam melhor no silêncio, na pausa das horas que a gente sempre faz, por vontade própria ou por necessidade mesmo.
E como já disse o Poeta "não existiria som senão houvesse o silêncio…Não haveria luz senão fosse a escuridão…A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim… Milton Nascimento
e mesmo exercitando a paciência eu me desespero, mas espero prá gritar…
Vago, um Vagão…
quando era pequena
escrevia meu nome na terra
desenhava meu mundo
meus sonhos simples
as coisas que via
no chão…
cresci…
carreguei comigo uma porção de terra
meu sólo fértil, ao meu coração
parei de escrever
deixei tudo na imaginação
mais um tempo…
tudo que eu sonhava
tudo que eu queria
buscava e conseguia
e o que me era impossível
abria a janela e lá estava
alguém tinha feito prá mim
me ensinando o que eu não sabia
custei a acreditar
mas vi meus pensamnetos
se concretizarem assim
sem explicação lógica
prá mim
coisas exatamente e até muito melhores
de como eu imaginei
os que não fui atrás, vi acontecerem
ideais que abandonei por pura incapacidade, timidez, medo de ir adiante,
rodeava, olhava, parava, ia e voltava, nada fiz…
mais alguém sonhou esse meu sonho, mas, não dormiu como fiz eu….
mar, céu de amor
dum mundo todo
e particular
verdejante
esperança no ar
num triz de estrela
insistente a brilhar
deixou que aquietasse
no balanço do mar
no sussurro da brisa
deixou que se abrisse
o chão de sonhar
pequenos pedidos
o alvo luar
(…)
cresceu-se na cheia
a lua, o mar.
na míngua de amar
partiu-se ao meio
não mais quis sorrir
secou seu espelho
bebeu minha dor
ganhei no respeito
perdi no amor
Sentimentos me tomam
e é parte dum mundo…
que quis sonhar
(…)
e dum mundo todo
dum mundo fora
e particular
em algum segundo da hora
transforma em mim as emoções
esse coração que me importa
suporta dores e anseios demais
mas na memória dos sentidos registra-se
um só suspiro… uma pausa breve
um pedido ao pulsar que resista!
eu fora do ar
na pausa de mim
que insiste em sonhar.
eu já quis inventar outra batida (a perfeita)
mas o perfeito é o seu pulsar,
cotidiano, renovador, vital…
todo o resto fica descompassado
quando não se nota a harmonia lá dentro do peito,
mesmo num peito com doces mágoas (se é que existe tal)
é muito a pensar?
prenda a respiração, despreze o ar,
daí saberás o que realmente precisas, o que lhe mantém o sopro da vida…
têm pequenas e grandes coisas que não podemos ver…
mas à vida se faz notar, se faz essencial:
o ar, por exemplo.
você, sua vida: poema de amor!
Quando a gente se permite amar… se encanta mais facilmente com a beleza da vida acerca de nós… é capaz de se alegrar com as coisas mais sublimes, mais serenas… tudo é encantado! E a gente vive a poesia da vida nos sorrisos de cada dia.
se debruçou na janela
a flor nascida do amor
beleza de flores
sorte de bem querer
enfileiradas no caminho
do meu passo que custa saber
onde dará a subida, a caminhada
quem me pega na mão, me arrebata do chão
quando tudo parece perdido
vejo a flor, qual sorte teria
ser o bem do amor
em vida
um querer que não lhe dá saída
um pensar que não lhe torna nada
só se debruçou
não sorriu
nem chorou
quis dormir
e acordou…